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Vale a pena conhecer #9

Chamo-me Rita Cordeiro, sou Designer Gráfica.
Paralelamente, tenho duas marcas de acessórios em crochet e algum tricot, inteiramente feitos à mão, a cooler e a wooler, nas quais acumulo várias funções, incluindo a de “modelo”.
Sou uma sapatólica inveterada e gosto de mudar frequentemente o chão que piso, daí que haja muitas imagens dos meus sapatos e chãos com texturas ou características que merecem ser registadas, como é o caso do mosaico hidráulico.
Quase todas as minhas fotos têm um nome de uma música como título. Nunca me debrucei muito sobre o assunto, mas a associação é imediata e surge normalmente quando estou a tirar a foto.
Gosto de registar as coisas, os sítios por onde passo e pessoas que fazem, ou não, parte da minha vida. E gosto de que, ao olhar para as fotos passado algum (muito) tempo, me lembre exactamente do que pensei e senti quando fiz o disparo.
Para mim o Instagram é mesmo a frase (que curiosamente também é um título de uma música) que escolhi para figurar na minha galeria: it’s a kind of magic.

Em Maio, vale a pena conhecer @ritacordeiro.

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1) Como conheceste o Instagram?

O meu primeiro contacto com o Instagram foi através de amigos que tinham um iphone. Na altura não achei graça nenhuma à coisa, achei até bastante irritante. Mas depois, tempos mais tarde, vi a luz!

2) Quando começaste a tua conta? Publicaste a tua primeira foto assim que abriste a conta?

Descarreguei a aplicação quando comprei um iphone, em Novembro de 2011. A minha primeira foto foi tirada no dia em que abri a conta e nunca mais parei. É caso para dizer, primeiro estranhei, depois entranhou-se!

3) Usas alguma app de edição? Quais as tuas favoritas?

Sim, uso. Gosto particularmente da VSCO e do Snapseed.

4) Quais os temas que mais gostas de fotografar?

Gosto de fotografar tudo o que faz parte dos meus dias. Não tenho preconceitos em relação a temas e gostava de ter mais coragem para fotografar desconhecidos com quem me cruzo.

5) Que tipo de aparelho usas para fazer as fotos que publicas no Instagram?

Uso apenas o telefone, um iphone 4s.

6) O que pensas da fotografia móvel?

Muitos puristas da fotografia consideram-na um atentado.
Eu sou uma acérrima defensora e acho que a forma como aproxima as pessoas com origens, vidas e universos tão longínquos é extraordinária. E acho que o facto de ter dado a qualquer pessoa a possibilidade de tirar fotos, de documentar de alguma forma a sua vida é uma coisa muito positiva. As pessoas retiram coisas boas do que vêem, guardam o que querem recordar. No fundo, é o mesmo “querer guardar o momento”, como dantes se fazia com as polaroids, mas de uma forma ainda mais acessível e imediata.
Tenho pena que o Instagram não seja apenas utilizado para a fotografia móvel pura e dura, há muitos (demasiados) utilizadores com excelentes galerias, mas que são integralmente compostas com “crops” de fotos tiradas com máquinas profissionais e com objectivas com uma capacidade infinitamente superior à da lente de um smartphone o que, na minha opinião, adultera o espírito do imediato, do instantâneo.
Alguns dos meus igers favoritos tiram fotos com câmaras de telefones de muito fraca qualidade mas, lá está, o olho do fotógrafo é que vale e não a máquina com que se está a fotografar.

7) Recentemente estiveste na página de utilizadores sugeridos do Instagram. Como foi a experiência?

Foi uma surpresa! Fiquei entre a incredulidade e a felicidade de ter sido escolhida entre milhares de utilizadores.

Tive um aumento exponencial de seguidores de tal forma que, durante umas semanas, perdi de vista as notificações das pessoas que eu sigo e com as quais interajo. Tive ainda a particularidade de, ao mesmo tempo, ter tido um destaque da VSCO. Foi uma semana emocionante e uma grande honra!

8) Fala um pouco sobre a tua paixão por fotografia.

Não sou fotógrafa, mas sempre gostei muito de fotografar.
Aprendi muito cedo todo o processo de revelação e impressão em papel com o meu tio, detentor de uma invejável colecção de máquinas fotográficas analógicas e profundo conhecedor do assunto.
Aos 15 anos o meu pai emprestou-me a sua Canon FT, tão boa quanto pesada. Documentei a minha adolescência toda e o início da vida adulta em rolos a preto e branco, que eu própria revelava em casa num mini-estúdio improvisado.
Desde aí nunca mais deixei de fotografar, agora mais em digital, e nunca saio de casa sem a máquina e, claro, sem o iphone.

Obrigado Rita, pela disponibilidade em responder às nossas perguntas, e por partilhares connosco o teu olhar.

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Vale a pena conhecer #8

Tal como já uma vez expressámos, a solidão espelhada nas sombras, nas figuras solitárias, algumas imersas no nevoeiro, perdidas na paisagem, percorre as fotografias de Hélder Reis. A luz das suas imagens assume um papel primordial no sublinhar do momento captado.

O Hélder Reis nasceu no Brasil, mas já vive há tantos anos em Portugal que podemos considerá-lo, também um pouco português.

Este mês, vale a pena conhecer o Helder Reis (@heldersreis e @cibidibis).

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Pequena apresentação.

Sou baiano, lisboeta, sportinguista, 52 anos (23 de Portugal) e moro em Lisboa. Tenho o curso de Jornalismo, fui jornalista de televisão no Brasil (TV Bahia, filial da Rede Globo) e, em Portugal, sou sócio de uma produtora de filmes de publicidade há quase 20 anos.

1) Como conheceste o Instagram?

Sou utilizador de android, por isso o Instagram “entrou” na minha vida com atraso. Como já tinha a paixão da fotografia e duas contas de Facebook, com quase 10 mil “amigos”, começar no Instagram foi o passo natural, mas não me lembro de quando ouvi falar dele pela primeira vez.

2) Quando começaste a tua conta? Publicaste a tua primeira foto assim que abriste a conta?

A minha primeira conta, @heldersreis, foi aberta em Maio do ano passado e não perdi tempo em publicar a minha primeira foto.

Na verdade, não sou um instagramer “puro”, e como sofro com isso. Risos. Não fotografo com o telemóvel porque não tenho como controlar todos os elementos que compõem uma fotografia.

No início, quando publicava as minhas fotos no Instagram, era ali que as cortava. Com o passar do tempo senti necessidade de publicar as fotos como elas eram, sem cortes.

3) Usas alguma app de edição? Quais as tuas favoritas?

Eu utilizo uma Canon 5D para fotografar, passo a foto por um programa próprio para acertar a luz e, depois, levo para outro programa para a edição final, que é, basicamente, dar o enquadramento “perfeito”. Não sou de truques de edição porque não tenho conhecimento aprofundado para isso.Tudo no PC.

Em Janeiro, deste ano, senti-me atraído pelos filtros e, então, baixei o Pixlr-o-matic. Utilizava, na mesma, fotos feitas com a Canon mas aplicava os filtros do Pixlr.

Percebi que as fotos “filtradas” não combinavam com a minha conta e foi então que abri uma nova conta, @cibidibis, com o nome Ricardo Reis, a brincar com o heterónimo de Fernando Pessoa. Era comum a quase todas as fotos a utilização da moldura Sand. Passado um tempo, fartei-me dos filtros e passei a publicar as fotos como as tinha feito e com o meu nome verdadeiro. Ainda restam 15 “filtradas” no cibidibis.

Com duas contas, resolvi separar preto e branco em @heldersreis e cor em @cibidibis.

4) Quais os temas que mais gostas de fotografar?

O tema recorrente nas minhas fotos é o homem solitário nas ruas de Lisboa, em contra-luz, inserido num cenário com um forte componente gráfico. Gosto, porém, de fotografar tudo o que chame a atenção do meu olhar.

Estou a preparar-me para um projecto fotográfico em que pretendo entrar nas casas das pessoas (não chamem a polícia, vai ser combinado antes). Fotografá-las lá dentro. Vamos ver o que sairá daí.

5) O que pensas da fotografia móvel?

A fotografia móvel e as redes sociais ampliaram, em muito, a utilização da fotografia e democratizaram a sua divulgação. Acho muito interessante que assim seja. O Instagram, com seus filtros, ajudou as pessoas a transformar fotos normais em fotos “cool”.

Os instagramers “puros” torcem o nariz às fotos feitas com câmara e publicadas no Instagram. Os saudosistas quase que têm um sentimento de posse sobre o “velho insta”, com 80 mil utilizadores. Para mim esta discussão é completamente irrelevante e inútil.

Qual será a evolução do Instagram com 100 milhões de utilizadores? Como será o futuro de tudo o que se mexe à volta do Instagram? Daqui a 3, 5 anos, qual será o poder de um Igersportugal? Que novas formas iremos descobrir da utilização do Instagram?  As respostas a estas perguntas é que me fazem pensar.

6) Fala um pouco sobre a tua paixão por fotografia.

Como se diz na linguagem do futebol, sou fotógrafo desde criancinha. Não tinha máquina fotográfica mas a paixão vem desde pequenino. Até há uns anos, só fazia fotos da família e dos amigos.

Tive uma Zenit, analógica e uma Sony digital, compacta. Quando comprei uma reflex Sony A230 tudo mudou. Fiz umas fotos na Expo, em Lisboa, numa manhã de nevoeiro e gostei do resultado (tenho uma atracção notória por nevoeiros). Daí para cá nunca mais parei, tenho milhares de fotos feitas de Lisboa, linda e cheia de contrastes.

A fotografia é uma paixão e um vício. Quando ando pela cidade com a minha máquina (sem tripé e outros apetrechos), sinto que somos uma entidade única.

Obrigado Helder, pela disponibilidade em responder às nossas perguntas, e por partilhares connosco o teu olhar.

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Vale a pena conhecer #7

Este mês, entrevistamos o João Cândido da Silva, aka @joaocs, jornalista de profissão, e fotografo desde criança.

Apaixonou-se pelo Instagram por causa dos filtros que davam um ar vintage às fotos que lhe lembravam as que tirava na juventude, com as suas maquinas analógicas.
As fotos do João são cheias de cor e chamam sempre a atenção.
Não temos dúvidas, vale mesmo a pena conhecer o feed deste lisboeta que fotografa as ruas e as  suas gentes.
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1) Como conheceste o Instagram?

Uma pessoa que conhecia o meu interesse por fotografia e que utilizava o Instagram, mostrou-me a aplicação e como funcionava, muito antes de eu ter um “smartphone”.

Na altura, mais do que a característica de rede social de que nem me apercebi bem, despertaram-me curiosidade os filtros, sobretudo aqueles que emprestavam um ar “vintage” às fotografias. Achei graça ao facto de a aplicação permitir que qualquer utilizador pudesse fazer com que as suas imagens parecessem ter sido tiradas nos anos 70 ou antes disso.

Recordo-me das máquinas Instamatic e tive, na infância, um aparelho do género, da Agfa. Alguns filtros recriavam o género de cores produzido por aquelas máquinas e pelas respectivas películas, o que não deixou de me despertar um sentimento de nostalgia.

2) Quando começaste a tua conta? Publicaste a tua primeira foto assim que abriste a conta?

Há cerca de um ano, decidi trocar de telemóvel e comprei um iPhone 4s. Descarreguei o Instagram e publiquei a primeira fotografia a 10 de Março de 2012. Durante os meses seguintes, não liguei muito à aplicação, mas comecei a entusiasmar-me a partir de Julho, quando a publicação de fotografias se tornou mais intensa e regular.

O interesse foi crescendo à medida que fui explorando e descobrindo o que outros utilizadores estavam a fotografar e a publicar. Através do trabalho de muitos e excelentes utilizadores do Instagram, senti-me incentivado a fotografar mais e a envolver-me mais na rede.

3) Usas alguma app de edição? Quais as tuas favoritas?

Nos primeiros tempos como utilizador do Instagram, usei os filtros disponíveis na aplicação, mas também experimentei o Hipstamatic e o LemeLeme. Mas acabei por me cansar destas aplicações.

São muito limitadoras porque não permitem graduar e ajustar a edição àquilo que se pretende. Aplica-se o filtro e, das duas, uma: ou o resultado é aquele que se pretende ou não é. Não há a hipótese de se escolher um meio-termo ou outra solução entre os dois extremos.

Por esta razão, comecei a procurar outras ferramentas de edição mais flexíveis e acabei por descarregar o Camera+, o Vintique e o Snapseed. Hoje em dia, uso, sobretudo, estas duas últimas aplicações. São fáceis de usar, muito intuitivas e permitem um razoável leque de escolhas, suficiente para melhorar as imagens sem ter de se cair, à força, no registo do efeito especial indesejado.

4) Quais os temas que mais gostas de fotografar?

Gosto de cores e texturas. Tenho uma predilecção por portas, janelas e paredes decadentes. Também gosto de arquitectura e de fotografia de rua. Portugal tem matéria-prima em elevadíssimas doses para quem gosta de fotografar estes temas.

Lisboa e Porto têm sido, nos tempos mais recentes, os locais que mais me têm incentivado a fotografar. São duas cidades cheias de recantos, becos, ruas estreitas, escadinhas, edifícios coloridos, muitos deles a precisarem de trabalhos de reabilitação mas, ainda assim, cheios de potencial para produzirem imagens interessantes.

5) Que tipo de aparelho usas para fazer as fotos que publicas no Instagram?

Quando saio para a rua para passear e fotografar, costumo levar uma Canon G11. É uma máquina discreta, cabe no bolso do casaco, pelo menos dos casacos que se usam no Inverno, e funciona bem em quase todas as situações, apesar de ser mais limitada e mais lenta do que uma DSLR (“digital single lens reflex”).

Acontece que, no dia-a-dia, não ando com a G11 e, por este motivo, recorro ao iPhone 4s para fazer as fotografias que “vejo” por aí. A grande vantagem dos “smartphones” está no facto de nos permitirem contornar aquelas situações em que vemos algum assunto com interesse e pensamos: “se eu tivesse aqui a máquina fotográfica”.

6) O que pensas da fotografia móvel?

Acho que é um poderoso incentivo para que mais pessoas se interessem por fotografia, partilhem a sua criatividade e as imagens dos assuntos e situações que as impressionaram ao ponto de decidirem fixá-las e mostrá-las. Através de redes sociais como o Instagram, é possível observar diferentes locais do Mundo, quase em tempo real.

Um “smartphone” tem grandes limitações técnicas. Há uns meses, em viagem, tirei várias fotografias com o iPhone e partilhei algumas delas no Instagram. Para conseguir captar as imagens que queria, tive que puxar pelo “zoom” digital do iPhone. No Instagram não se nota, mas uma ampliação dessas imagens deixa à vista o que era expectável: ruído e fraca qualidade. Quando se fotografa com um “smartphone”, é preciso conhecer os respectivos limites para não se ter desilusões.

Isto não significa que o equipamento seja tudo. Longe disso. O Instagram está cheio de exemplos de pessoas com enorme talento que não deixam de dar nas vistas apesar de disporem de meios relativamente modestos, como sucede com muitos fotógrafos que apenas usam os seus “smartphones”, conjugados com doses notáveis de imaginação.

7) Fala um pouco sobre a tua paixão por fotografia.

O final da adolescência e o início da minha juventude foram o período em que me interessei por fotografia. No início dos anos de 1980, fiz a as fases de iniciação e 1 no curso de fotografia da AR.CO, em Lisboa, e nessa altura andava quase sempre de máquina na mão.

Fotografava sobretudo a preto e branco, o que me permitia controlar todo o processo desde o disparo, à revelação da película e à impressão. Quando fotografava a cores, optava pelo diapositivo.

O início da carreira profissional de jornalista e os estudos na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa acabaram por subtrair muita da minha disponibilidade para a fotografia e passei a ser um praticante esporádico. Na prática, resumi a actividade aos períodos de férias.

O Instagram acabou por ser um forte estímulo para voltar a dedicar mais tempo à fotografia. Por duas razões fundamentais.

Para aprender e progredir, é essencial fotografar muito. E a vontade de partilhar as fotografias, em vez de as manter escondidas algures num dispositivo de memória, é um empurrão para sair para a rua e ir à procura de assuntos. Em segundo lugar, para apender e progredir também é preciso ver muitas fotografias, uma tarefa que é facilitada pelas redes sociais como o Instagram e outras.

Obrigado João, pela disponibilidade em responder às nossas perguntas, e por partilhares connosco o teu olhar.

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Vale a pena conhecer #6

Hoje entrevistamos João Amaro Correia, aka @joaoamarocorreia, lisboeta, arquitecto e fotografo compulsivo.

O objecto arquitectónico aparece no seu feed, não escondendo a sua formação profissional, mas o João gosta, sobretudo, de fotografar pessoas, pois é nelas que considera estar a essência de tudo.

As suas imagens são fortes e carregadas de emoção, um pouco desconcertantes e inquietantes. Não deixando, por isso, o espectador indiferente.

O feed do João, é sem dúvida um feed que vale a pena conhecer.

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1) Como conheceste o Instagram?

Na web, pouco depois do seu aparecimento.

2) Quando começaste a tua conta? Publicaste a tua primeira foto assim que abriste a conta?

Abri a conta em finais de 2011. Presumo que tenha publicado imediatamente uma imagem.

3) Usas alguma app de edição? Quais as tuas favoritas?

PhotoShop, quando publico imagens em preto e branco. A cores, tendo não usar ‘filtros’.

4) Quais os temas que mais gostas de fotografar?

Pessoas. É nelas que está tudo. O pedaço mais verdadeiro da Verdade.

5) Que tipo de aparelho usas para fazer as fotos que publicas no Instagram?

iPhone 4.

6) O que pensas da fotografia móvel?

Um modo de registo do quotidiano. Poder-se-á inscrever a fotografia móvel na mesma genealogia da polaroid e das câmaras descartáveis da era pré-digital. Um modo rápido, barato, eficaz, de ir registando momentos de alguma maior espontaneidade e intimidade que, por definição, estão mais afastados da fotografia profissional.

Sou relutante em falar de Fotografia quando se fala em Instagram. Sem prejuízo de se encontrarem, cada vez mais, e com cada vez mais qualidade, fotografias, de facto, o Instagram é uma máquina gigante de produção e deificação da banalidade. Uma espécie de utopia (distopia) warholiana em que cada um de nós é produtor dos seus 15 avos de segundo de fama. E um fenomenal arquivo para memória futura. Os antropólogos de uns séculos à frente terão aqui um incomensurável fio de Ariadne para seguirem as pistas do início do século XXI.

A fotografia é outra coisa. Exige um pensamento e é a construção de um pensamento. É um olhar mais profundo e complexo sobre o real.

7) Fala um pouco sobre a tua paixão por fotografia.

Não tenho paixão pela fotografia. Não nasci nem alimento o «bichinho» da fotografia. Sempre tirei, de forma absolutamente casual, fotografias, como qualquer pessoa. Mas nunca fiz da fotografia sequer ‘passa-tempo’. Sucedeu ter adquirido um iPhone e, claro, ter instalado o Instagram. De início era a óbvia e, de certa forma, ingenuidade e encantamento com os efeitos dos filtros. E esse foi, penso, o grande truque do sucesso do Instagram. De repente, qualquer banalidade – um pé, uma unha, um sushi, um gatinho – adquiriu glamour e seduziu pela simulação de um imagiário que os filtros oferecem a la carte.

Lembro que de início achava muito interessante o contacto com o quotidiano de lugares e cidades distantes, de todo o mundo, por perspectivas que escapam ao crivo dos media. Uma espécie de omnipresença global, instantâneo, por todas as partes do mundo.

Por defeito de formação fotografava arquitecturas, objectos que achava interessantes. Mas sempre na lógica do «acontecimento», do «evento» – que é a lógica Instagram, tornar tudo, qualquer ínfima parte do dia-a-dia, num «evento» de ressonâncias globais. Por uma qualquer razão tentei encontrar coragem para fotografar pessoas. É o que tenho feito mais. E o que mais me tem interessado.

Não tenho técnica alguma e desconheço por completo os meandros dos equipamentos e das câmaras e as técnicas.

8) Tens algumas referencias na fotografia? Onde procuras informação para fazer as tuas fotos?

Para além de amigos fotógrafos profissionais, com quem, de quando em vez, falo de fotografia, sou muito ignorante do métier. Não tenho referências para além dos óbvios nomes. No entanto, há um livro e um fotógrafo que sempre me surge com uma força impressionante. O The Americans, do Robert Frank. Também o livro Lisboa: Cidade Alegre e Triste, do Victor Palla com o Costa Martins, me é uma referência importante.

9) Há 2 elementos que aparecem varias vezes em situações de luz diferente. Um prédio, e o tecto de uma igreja. O que são, e qual o motivo para os fotografar?

Confesso que desconheço o motivo. O prédio é no Jardim do Príncipe Real, e todos os dias lá tomo café em frente. Achei graça ao facto de se (quase) poder representar em fotografia a abstracção de um desenho de alçado arquitectónico. O tecto da Capela do Rato, não terá outro sentido que pontuar a semana das imagens, como o Domingo ritma os dias da semana, creio.

10) No inicio da conta, fotografava essencialmente arquitetura  mas hoje o elemento humano predomina no seu trabalho. Há alguma intenção nessa mudança ou foi apenas um evoluir da sua linguagem fotográfica?

Não há intenção nenhuma. É apenas isso: um caminho. Em última instância, estamos apenas a falar disso: caminhos.

Obrigado João, pela disponibilidade em responder às nossas perguntas, e por partilhares connosco o teu olhar.

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Vamos falar de fotografia

“A questão da arte em fotografia pode resumir-se à captura e apresentação do prazer de ver, é observação plena e sentida.” Quem assim falava era um fotógrafo americano que já era famoso no final dos anos 30 quando, usando uma camara escondida por baixo do casaco, foi para o metro de Nova Iorque registar a vida dos viajantes subterrâneos. O livro saído desse projeto, Many are called, só foi publicado em 1966. Walker Evans, o seu autor, apenas então achou que podia dar a conhecer esses retratos roubados. O que hoje fazemos levianamente com os nossos dispositivos eletrónicos, e mais levianamente ainda publicamos por todo o lado, naquela altura era algo impensável, e Evans transformou esse estúdio ideal para retrato numa galeria imensa de tipos humanoswalker 1 representativos de uma época, mas com valor intemporal. A pergunta que hoje nos fazemos incide sobre o facto de nos questionarmos se quando o livro foi finalmente publicado, 25 anos depois, alguma destas pessoas se reconheceu a si própria.

A fama sim vinha-lhe já do seu trabalho sistemático registando a arquitetura do interior da américa, de uma viagem a Cuba, mas sobretudo do seu trabalho, onde também se distinguiu Dorothea Lange, entre vários outros fotógrafos, para a Farm Security Administration, registando a vida rural durante a grande depressão, usando uma camara de grande formato 8×10.

A imagem de Allie Mae Burroughs, reproduzida ao lado, é um dos símbolos dessa época, e uma das suas fotografias mais conhecidas.walker2

Logo depois teve a sua primeira exposição, “American Photographs”, no Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque, imediatamente antes do projeto debaixo de terra.

Walker Evans nasceu a 3 de Novembro de 1903, em St. Louis, Missouri. Começou por estudar literatura, teve vários empregos, viveu em Paris, onde tentou sem sucesso uma carreira como novelista, e em 1927 regressa a Nova Iorque. Depois de sobreviver como empregado de balcão, começa a fazer fotografia a sério em 1928, com uma pequena Leica, a grande novidade na altura. Faz algumas amizades importantes, como o crítico e empresário Lincoln Kirstein, que fez um ensaio sobre a sua obra na primeira exposição no MoMA, e Berenice Abbott, que o introduz à obra de Eugene Atget.

Em 1941 publica “Let Us Now Praise Famous Men”, que mais tarde conhece uma nova edição aumentada, e casa-se com Jane Smith Nimas, uma artista plástica que conhecera em New Orleans, de quem se separa 15 anos depois, para se casar de novo com Isabelle von Steiger. Começa a trabalhar como crítico de arte para a revista Time. Em 1944 entra como fotógrafo residente para a revista Fortune.

walker3Em 1965 é nomeado professor de fotografia na Faculdade de Design Gráfico, em Yale, e tem a sua consagração em 1971 com uma grande exposição retrospetiva da sua obra no MoMA.

Morre em New Haven, 1975, aquele que ficava furioso quando lhe perguntavam que máquina tinha utilizado para fazer determinada fotografia: porque não vão perguntar a um escritor que máquina utiliza para escrever! Avisou contra a tentação da fotografia a cores, dizendo que muitos confundiam cor com ruído. Mesmo assim no final da vida compra uma Polaroid com a qual fez milhares de imagens de casas, abrigos, interiores, pessoas e sinais. Mas disse: ninguém deve tocar numa Polaroid se não tiver mais de 60 anos.

walker4Evans foi o grande fotógrafo documental da América. Sem sentimentalismo ou acusação, registou a arquitetura vitoriana de Nova Inglaterra, a vida dos pobres itinerantes em busca de trabalho no Sul, os passageiros do metro de Nova Iorque… incorporando uma visão desapaixonada e objetiva no seu registo através do visor.

por, @raulpcoelho

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Vale a pena conhecer #5

O nosso convidado deste mês é o Nuno Máximo, a.k.a. @nmax no Instagram. Oriundo de Lisboa, tem 36 anos e é operador de câmara.

Ora a cores, ora a preto e branco, o perfil do Nuno está carregado de fotos que nos enchem a vista. Imagens fortes, com predominância de figuras geométricas e imagens em perspectiva onde a luz e a sombra convivem em harmonia.

Em Janeiro, vale a pena conhcer @nmax.

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1) Como conheceste o Instagram?

Já não me recordo. Como ando sempre em busca de novas Apps de fotografia, talvez tenha descoberto o Instagram dessa forma…

Quando tirei a App, não gostei muito dos filtros. Tenho tendência para as fotos a preto e branco muito contratadas, o que não era possível na altura com os filtros do Instagram e nem sei se hoje o é! Por essa razão tive a App no Iphone durante muito tempo sem a utilizar.

Depois através de uns amigos fiquei a conhecer melhor a App e todo o seu potencial, e o vicio instalou-se:)

2) Usas alguma app de edição? Quais as tuas favoritas?

As Apps que mais uso são o Mpro para as fotos a preto e branco e o Procam para as fotos com cor. Edito as fotos sempre no Snapseed, uso também o Noir em algumas fotos e por vezes dou uns ajustes na  Retouch.

3) Quais os temas que mais gostas de fotografar?

Não tenho um tema em específico. Gosto fotos em contra luz, de silhuetas, de simetrias…também gosto do por do sol. Gosto que o resultado final seja uma imagem forte e que ao olhar para ela me detenha por algum tempo  a observá-la.

4) Que tipo de aparelho usas para fazer as fotos que publicas no Instagram?

Uso um iPhone 4.

5) O que pensas da fotografia móvel?

Desta forma conseguimos fotografar uma serie de coisas e lugares que de outra forma não era possível, porque a maioria das pessoas não anda  com uma máquina DSLR ou uma compacta no bolso todos os dias. Assim torna-se muito mais prático e tem o lado atractivo de poder partilhar-se no momento.

6) Fala um pouco sobre a tua paixão por fotografia.

Sou muito observador, costumo ver tudo o que se passa à minha volta e através da fotografia consigo imortalizar alguns desses momentos e mais tarde recordá-los.

A fotografia tem ainda a magia de nos trazer sensações variadas sem termos de falar.

Obrigado Nuno, pela disponibilidade em responder às nossas perguntas, e por partilhares connosco o teu olhar.

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Vale a pena conhecer #4

Hoje entrevistamos a Ornella Ascolese aka, @a_lisbon_affair. Italiana, nascida em Zurique e a viver em Portugal há uns anos.

Trabalha com moda e fotografa de uma forma muito peculiar.

O feed da Ornella não nos deixa indiferentes. As suas fotos são fragmentos poéticos, jogos de luz e sombra cheios de sensualidade. Tal como Francesca Woodman, uma de suas musas inspiradoras, o tema de suas fotos balança entre a beleza do corpo feminino e a moda.

Vale, realmente, a pena conhecer.

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1) Como conheceste o Instagram?

Foi através de amigos que conheci o Instagram, vi as publicações deles com regularidade no Facebook, e lembro-me de ter ficado fascinada pela qualidade e originalidade das fotos. Nessa altura ainda não tinha um iPhone, mas já estava com ideias de adquirir um, e desejosa de poder fotografar com ele.

2) Quando começaste a tua conta? Publicaste a tua primeira foto assim que abriste a conta?

Já não me lembro, mas segundo a estatística do Statigram abri a minha conta no dia 27 de Janeiro 2011. Publiquei logo a seguir uma foto, um autorretrato a cores.

No inicio recordo-me, estava um bocado desorientada, hesitava sempre bastante antes de publicar uma imagem. Também foi pelo facto de não ter prática em como usar e aplicar os apps que ia descarregando. Os apps foram e são umas ferramentas que me ajudaram muito a sublinhar as minhas imagens. Depois de ter algum conhecimento na edição depressa fiquei insatisfeita em mostrar fotos com temáticas soltas, queria elaborar algo além disso, procurava uma expressão, um “fio vermelho” que as unisse.

Mesmo assim demorou um tempo até encontrar o “meu olhar”. Desde sempre gostei da fotografia e através da meu trabalho como estilista tive oportunidade de colaborar com fotógrafos cujos trabalhos estimo muito e que já foram publicados em revistas internacionais. Quando abri a conta optei que ela fosse privada, desta maneira durou bastante tempo até ter um certo número de seguidores. Os primeiros a seguir-me foram os amigos e passado poucos meses juntaram-se outras pessoas. Com a troca de comentários e likes comecei a entusiasmar-me. Entretanto conheci muitas pessoas criativas e com trabalhos extraordinários de todos os cantos do mundo. Este é um facto que me fascina no Instagram, um mundo inteiro dentro de um ecrã tão pequenino. Sou uma pessoa multicultural, além de ter uma grande paixão pela fotografia gosto muito de comunicar. Muitas das vezes acontece-me ter de responder aos vários comentários em cinco idiomas diferentes simultaneamente. As pessoas que ainda não me conhecem ficam bastante baralhadas e têm dificuldade em perceber qual é a minha origem. A constante comunicação aproximou-me de alguns seguidores, com os quais já tive encontros pessoais aqui em Portugal e no estrangeiro e que de seguida tornaram-se amigos próximos.

3) Usas alguma app de edição? Quais as tuas favoritas?

Uso vários apps de edição. De todos os meus preferidos destacam-se o Pixlromatic e o Snapseed. Ando sempre a misturar e experimentar um pouco em todos, e quando no fim alguém me pergunta como obti os efeitos, já não me lembro. Para fotografar uso principalmente o Hipstamatic e o Mpro, são os meus favoritos absolutos.

4) Quais os temas que mais gostas de fotografar?

Gosto principalmente de fotografar pessoas, corpos, só partes deles, e na maioria são mulheres. Fascina-me mostrar só fragmentos dos corpos, as imagens tornam-se misteriosas e toca ao observador imaginar o resto. Trabalhar com a luz e a sombra é algo que me cativa sempre quando estou a fotografar Muitos dos ambientes são criados, encenados por mim, como também os adereços e as roupas. Adoro livros e filmes, gosto de contar histórias através das imagens que vou publicando. O espirito é como consta no meu perfil “les histoires sont mes vêtements” em português “as histórias são os meus indumentos”. Pode haver entre as imagens cenas de rua, paisagens ou arquitetura, mas são raras.

5) Que tipo de aparelho usas para fazer as fotos que publicas no Instagram?

Todas as fotos são feitas e editadas com o iPhone4. Costumo tirar fotos também com a Canon digital ou a Holga mas ainda não fiz nenhuma mistura entre eles.

6) O que pensas da fotografia móvel?

Tenho tudo o que respeita à fotografia de tal maneira organizado no iPhone, que não preciso de qualquer apoio externo, está tudo ali na minha palma da mão, sempre comigo. Posso em qualquer hora ou lugar tirar uma fotografia sem que ninguém se aperceba e sem ninguém ficar incomodado com isso, até agora nunca tive uma má experiência por ter apontado o iPhone a alguém. É tão cómodo poder fotografar assim, tem inúmeras vantagens por ser móvel, fácil de manejar e comunicar ao mesmo tempo. Estar longe de tudo e mesmo assim, tão perto.

7) Fala um pouco sobre a tua paixão por fotografia.

A fotografia para mim sempre foi um meio de comunicação, sem palavras e sem som, contrariando isso tudo, consigo ler o que não está escrito e ouvir a melodia expressada pela imagem.

Não são poucos os fotógrafos que eu admiro, mas quem se destaca definitivamente entre eles, são a Sophie Calle, a Francesca Woodman e a Sarah Moon. Quando não estou a fotografar, imagino novos cenários e histórias. Durante o meu trabalho estou constantemente ligada à criação, e a fotografia já faz parte dele. Ver filmes, ler , visitar exposições ou simplesmente passear também é muito inspirador. A minha participação no Instagram, a fotografia móvel, mudou muitas coisas na minha vida, de maneira positiva. Recentemente foi convidada através da plataforma de fotografia móvel francesa Tribegram.com, na participação de numa exposição colectiva de mulheres em Paris, chamada “Regards de Femmes”, em português, “Olhares de Mulheres”. Foi uma belíssima experiência e um início de inúmeros projetos que esperamos concretizar juntas no futuro.

Obrigado Ornella, pela disponibilidade em responder às nossas perguntas, e por partilhares connosco o teu olhar.

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